Quando O Escândalo Entra Na Eleição
O caso Master chegou ao coração das instituições.
Primeiro veio o contrato milionário do escritório de Viviane Barci, mulher de Alexandre de Moraes, com o banco de Daniel Vorcaro.
Agora sabemos mais: o próprio Moraes acessou e editou a minuta do contrato. O escritório confirma e diz que ele verificava possíveis impedimentos.
Não prova crime, mas acaba com a história confortável de que Moraes nada tinha a ver com aquela relação comercial.
Então surgiu a mensagem explosiva: Vorcaro diz precisar da “proteção” de “Andrei e Paulo” - prováveis referências, segundo a PF, a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. O destinatário seria Moraes, que nega ter recebido a mensagem.
Tudo isso precisa ser investigado.
E aí começa outro problema: André Mendonça.
Porque o relator dessas bombas está conduzindo também investigações que atravessam a eleição presidencial.
No caso Lulinha, Mendonça recebeu a relatoria e autorizou a investigação praticamente no dia seguinte. Depois resistiu à posição da PGR de mandar o caso à primeira instância, reclamou da lentidão da PF e entrou em choque com sua direção.
Agora compare com Dark Horse.
Há áudio de Flávio Bolsonaro negociando financiamento com Vorcaro, dezenas de milhões envolvidos e suspeitas sobre o destino do dinheiro.
Mendonça autorizou a investigação. Portanto, falar em engavetamento seria desonesto.
Mas procurei a mesma ferocidade. Não encontrei. Não encontrei a mesma cobrança pública à PF, a mesma guerra pela velocidade, o mesmo protagonismo.
Isso prova que Mendonça trabalha para eleger Flávio e derrotar Lula?
Não, mas revela uma aparente assimetria de tratamento que, a poucas semanas da eleição, exige explicação.
A Lava Jato já ensinou que Justiça pode interferir numa eleição sem fraudar uma única urna; basta administrar desigualmente ritmo, vazamento, manchete e silêncio.
- Julio Benchimol Pinto



Comentários