Quando Deus Entrou Na Política


3. A IGREJA JÁ ERA UM PARTIDO - SÓ NÃO SABIA

Imagine que você queira criar uma máquina eleitoral. Precisará de diretórios espalhados pela cidade, reuniões semanais, lideranças locais, milhares de pessoas cadastradas informalmente, uma identidade comum, meios de comunicação, voluntários, arrecadação e alguém em quem todas essas pessoas confiem.


Parabéns. Você acaba de descrever uma grande igreja pentecostal.


Foi essa infraestrutura que algumas denominações aprenderam a converter em poder eleitoral.


A literatura acadêmica documenta candidaturas corporativas, conselhos políticos e candidatos oficialmente apoiados por igrejas.


A lógica é genialmente simples. O eleitor comum olha para cinquenta candidatos e não conhece nenhum; o fiel recebe uma informação muito mais eficiente: “Este é o nosso irmão.” Pronto.


Não significa que evangélico vote como pastor manda. As pesquisas mostram diferenças enormes entre igrejas e fiéis. Mas confiança religiosa pode virar atalho eleitoral.


E então surgiu uma figura tipicamente brasileira: PASTOR FULANO - 12345.


O título religioso virou nome de urna, a autoridade espiritual virou marca eleitoral, o púlpito forneceu reputação, a igreja forneceu rede e a urna forneceu mandato.


Não foi milagre; foi organização.


Continua.


- Julio Benchimol Pinto

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