O Supremo Descobriu Que Precisa Salvar O Supremo
Edson Fachin finalmente falou.
Prometeu “medidas cabíveis” e disse a frase que deveria estar gravada na entrada do STF: “A elevada autoridade do cargo não confere privilégios.”
Ótimo. Agora vem a parte difícil: provar.
Moraes precisa explicar sua relação com Vorcaro, os encontros, as mensagens e os pedidos de ajuda.
Mendonça precisa explicar seus próprios encontros com Vorcaro, a oitiva paralela sem a PF e por que o relator parece às vezes investigador.
Gonet precisa explicar por que pediu a nulidade justamente do relatório em que ele próprio aparece mencionado.
E o Supremo precisa decidir tudo isso olhando para o espelho.
Nos bastidores, ministros já querem que o caso vá ao plenário. Gilmar Mendes propõe até impedir delegados da PF de trabalhar dentro dos gabinetes.
A crise chegou a Lula: Gilmar e Fachin foram conversar com o presidente.
Eis o tamanho do incêndio: o STF agora precisa investigar se ministros do STF agiram irregularmente numa investigação conduzida por outro ministro do STF - cuja própria atuação também está sob suspeita.
Kafka acharia exagerado.
Fachin tem razão numa coisa: a credibilidade da Corte está em jogo. Mas credibilidade não se preserva protegendo ministros. Preserva-se mostrando que ministro também pode ser investigado.
- Julio Benchimol Pinto



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