O Evangélico E As Duas Réguas
André Mendonça chegou ao STF apresentado como o ministro “terrivelmente evangélico”. A PF agora levanta uma questão bem menos celestial: será também terrivelmente seletivo?
Um relatório da Polícia Federal registra que Mendonça foi informado de que, naquele procedimento sobre as fraudes do INSS, não havia elementos ligando diretamente Fábio Luís Lula da Silva ao esquema.
Sim, Fábio Luís, o homem que a imprensa consagrou como “Lulinha”, embora família e amigos não o chamem assim - apelido particularmente conveniente para colar qualquer suspeita envolvendo o filho diretamente na testa do pai.
A informação permaneceu sob sigilo.
Cautela: sigilo não é crime, relatório de inteligência não é sentença e isso tampouco transforma Fábio Luís em coroinha da República.
O problema é outro. A PF comparou o tratamento dado por Mendonça a Fábio Luís e ACM Neto e levantou a hipótese de utilização de réguas probatórias diferentes conforme o espectro político. Traduzindo do juridiquês: para um, lupa; para outro, óculos escuros.
A própria PF ressalva que essa hipótese ainda tem baixa confiança e precisa ser demonstrada. Como deve ser num Estado de Direito: suspeita não é condenação - nem para filho de presidente, nem para ministro do Supremo.
Mendonça gosta de pregar que juiz não deve buscar dinheiro. Perfeito. Convém acrescentar um mandamento bastante útil à magistratura: não usar dois pesos e duas medidas.
Porque Justiça com régua ideológica não é Justiça; é preferência política vestida de toga.
- Julio Benchimol Pinto



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