O Caso Master Tem Uma Qualidade Rara Em Brasília: A Cronologia Depõe Sem Precisar De Delação Premiada
Daniel Vorcaro quis assumir o Banco Máxima. Fevereiro de 2019. O Banco Central ainda presidido por Ilan Goldfajn, escolhido por Temer, examinou o pretendente e disse NÃO.
Motivo? Não estavam satisfatoriamente demonstradas a origem dos recursos nem a capacidade econômico-financeira dos compradores.
Sai Ilan. Entra Roberto Campos Neto, escolhido por Bolsonaro.
Oito meses depois, outubro de 2019: SIM. Vorcaro ganha autorização para controlar o banco.
E então acontece o milagre da multiplicação dos CDBs: os ativos saltam de cerca de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 BILHÕES em cinco anos, o Máxima vira Master, a captação explode, o império cresce, cresce e cresce.
Tudo sob o BC de Campos Neto - inclusive o início, em 2024, das operações com o BRB que hoje estão no coração das investigações.
Em janeiro de 2025 entra Gabriel Galípolo, indicado por Lula.
O roteiro muda: o BC investiga inconsistências, leva suspeitas às autoridades, veta a compra do Master pelo BRB e, em novembro, liquida o banco por grave crise de liquidez, comprometimento econômico-financeiro e graves violações às normas do sistema financeiro.
Traduzindo a cronologia: ILAN: NÃO; CAMPOS NETO: SIM; VORCARO: R$ 3,7 BI → R$ 82 BI; GALÍPOLO: ACABOU.
Isso não prova crime de Bolsonaro nem de Campos Neto, mas torna absolutamente legítima uma pergunta que Brasília deveria estar berrando:
POR QUE DANIEL VORCARO, REPROVADO PELO BANCO CENTRAL POR DÚVIDAS SOBRE A ORIGEM DO DINHEIRO E SUA CAPACIDADE FINANCEIRA, FOI APROVADO OITO MESES DEPOIS?
Porque o escândalo Master não começou quando a Polícia Federal chegou, mas quando alguém abriu a porta - e essa porta tem data, ata e assinatura.
- Julio Benchimol Pinto



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