Isto É Um Filme Ou Um Sumidouro?

 

Dark Horse ainda nem estreou, mas já produziu seu maior espetáculo: o desaparecimento artístico de dezenas de milhões de reais dentro de uma contabilidade que ninguém consegue enxergar inteira.


Daniel Vorcaro desembolsou comprovadamente US$ 12,3 milhões. Pode ter chegado a quase US$ 14 milhões.


Enquanto isso, a produtora brasileira recebeu, em apenas 50 dias, R$ 8,95 milhões de várias fontes: outra empresa da própria produtora, empresário, Mário Frias, NTT, câmbio…


E quanto o filme diz ter gasto?


Prepare-se para o milagre.


Segundo o laudo contratado pela própria produtora:


Entrou: US$ 13.393.081,29.

Saiu: US$ 13.393.081,29.


Nem sobrou dinheiro para um cafezinho.


VINTE E NOVE CENTAVOS de precisão.


Moisés abriu o Mar Vermelho. Jesus multiplicou os pães. A Go Up conseguiu coisa mais difícil: fazer milhões de dólares entrarem e saírem com precisão de caixa de padaria.


Só há um pequeno inconveniente: ainda não apareceu publicamente uma prestação de contas que permita ligar cada milhão recebido a cada milhão efetivamente gasto.


Há hotel de luxo. Há peruca de R$ 10 mil. Há milhões em despesas americanas. Há dinheiro chegando por caminhos diferentes. Há investigação sobre possíveis triangulações.


Só falta aquela banalidade burguesa chamada conta completa.


Não estou dizendo que o dinheiro sumiu; estou dizendo que, enquanto não abrirem notas, contratos e extratos, fica difícil saber se estamos diante de uma produção cinematográfica ou do primeiro buraco negro audiovisual brasileiro.


O nome talvez esteja errado: não é Dark Horse; é Dark Hole.


- Julio Benchimol Pinto

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