A Churrasqueira Sabia; O Brasil, Não
Brasília acaba de reinventar o arquivo morto: a churrasqueira.
Em 7 de maio, a PF entrou na casa de Ciro Nogueira e encontrou ali um papel que, segundo uma funcionária, o senador teria mandado queimar. Ela não queimou.
No papel, sob a palavra “Câmara”, apareciam nomes como Arthur, Hugo, Elmar, Luizinho e Isnaldo, acompanhados de números que a própria PF diz serem “provavelmente valores” e que ainda precisam ser esclarecidos. Nada disso, sozinho, prova crime.
O extraordinário é outro: nós só ficamos sabendo quatro meses depois.
Quando André Mendonça resolveu abrir parte do caso Master, tornou públicos primeiro os autos que colocavam Alexandre de Moraes no centro do incêndio. Outros permaneceram trancados - inclusive os relativos a Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro.
A PGR reclamou, Fachin deu 24 horas, e, de repente, apareceram novas gavetas.
Mendonça diz que não escondeu nada. Pode ser. Mas então fica a pergunta que Sua Excelência precisa responder: até quando tudo isso permaneceria em segredo se ninguém tivesse exigido a abertura? E por quê?
Sigilo investigativo é legítimo; sigilo seletivo é outra coisa.
- Julio Benchimol Pinto



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