O Supremo Não É Uma Federação De Onze Repúblicas De Toga
Fachin finalmente lembrou que preside um tribunal, não uma reunião de onze soberanos.
Suspendeu a canetada de Mendonça que afastou a cúpula da PF e a contracanetada de Dino que a reintegrou. Manteve Andrei por decisão própria, puxou para a Presidência o inquérito das Fake News e seus derivados e convocou o Plenário para pôr ordem na casa.
Mas a pancada não foi igual.
Dino levou um freio processual. Mendonça perdeu a batalha da PF, mas continua com Master e INSS. Moraes perdeu muito mais: o comando de um inquérito que concentrou durante sete anos um poder extraordinário.
É tarde? Muito. É suficiente? Não. Mas era indispensável.
Porque o escândalo já deixou de ser apenas do Banco Master; é o retrato de um sistema em que banqueiro circula entre ministros, políticos, partidos, fundos e campanhas como quem atravessa a sala de casa.
E a eleição entrou no salão.
Lula faz bem em exigir tudo aberto e mal fará se abraçar o Supremo. Flávio tenta transformar Mendonça em ativo eleitoral, mas o Dark Horse começa a galopar na direção contrária: um delator relata US$ 12,3 milhões enviados ao fundo usado para financiar o filme de Bolsonaro, enquanto a PF bate à porta de Mário Frias e da produtora.
E os tais 60% de chance de vitória de Flávio? Prognóstico de Pedro Doria. Pesquisa mesmo, ontem, deu 46 a 46.
Fachin ganhou algum controle; o STF ainda precisa recuperar algo muito mais difícil: credibilidade.
- Julio Benchimol Pinto



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