O Supremo Desceu Para O Whatsapp
Esqueçam por um instante as becas, o mármore e o “Vossa Excelência”.
O STF virou grupo de WhatsApp de condomínio - só que de um condomínio que julga a República.
Segundo relato publicado pelo Metrópoles, Gilmar Mendes desconfiou de uma combinação entre André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques no episódio do afastamento do diretor-geral da PF. A votação foi relâmpago: Fux e Kassio registraram votos em questão de minutos. Podiam votar mesmo depois do pedido de vista. O problema não é esse. O problema é o roteiro. A rapidez foi confirmada também pela imprensa: os dois acompanharam Mendonça poucos minutos após a abertura do julgamento.
E então o Supremo abandonou o juridiquês.
Gilmar:
“Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas.”
Kassio:
“Me respeite Gilmar. Isso não é postura.”
Gilmar, delicadeza institucional em estado puro:
“Não julguem porra. Não respeito a quem não se dá respeito. Vc tem de sair do TSE também.”
Kassio:
“Então não me tecle pois não falo com que não me respeita.”
Gilmar insiste:
“Abra as suas contas antes de julgar qualquer coisa desse caso nq turma.”
Kassio responde:
“Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz. Tramoias….”
E Gilmar fecha a cena:
“Verdade! De sua família…”
Cai o pano.
Só que não era teatro. Por trás da baixaria digital estão Banco Master, Daniel Vorcaro, suspeitas envolvendo parentes, decisões judiciais, Polícia Federal e ministros cobrando uns dos outros aquilo que qualquer juiz exige de qualquer cidadão: imparcialidade, transparência e explicações.
O celular de Vorcaro virou uma espécie de granada sem pino no centro do Supremo. E Kassio, citado em reportagens sobre relações indiretas com o universo Master, acabou se declarando suspeito na sessão desta segunda-feira.
A crise do STF já ultrapassou a divergência jurídica. Quando ministros começam a escrever uns aos outros “abram as contas”, o problema deixou de ser apenas quem tem razão e passou a ser quem ainda tem condições de julgar quem.
- Julio Benchimol Pinto



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