A " Milei De Saia" E A Planilha Invisível
Jair Bolsonaro passou anos avisando que Lula transformaria o Brasil numa Venezuela.
Não transformou.
Agora a assessora econômica de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, diz que “Milei é um ótimo exemplo” e anuncia tesouraço, desregulamentação, redução de impostos e um ajuste de 1,5% do PIB.
Ótimo. Só falta um pequeno detalhe: a conta.
Na entrevista à Folha, perguntaram onde seriam cortados esses 1,5% do PIB.
Daniella falou de estatais, imóveis, cargos, privilégios, desperdícios.
Perguntaram novamente: onde, exatamente?
Resposta: “Quem vai fazer esse detalhamento vai ser o Congresso.”
E, diante da insistência: “Eu não sou a Mãe Dináh.”
É uma inovação econômica fascinante: o candidato promete o tamanho do corte, a assessora anuncia a tesoura, Milei fornece a inspiração e o Congresso, depois da eleição, descobre onde será amputado o paciente.
Também haverá redução de impostos. Quanto custará? Depois se vê.
Quais despesas compensarão? Congresso.
Quais políticas serão cortadas? Transição.
Qual é o desenho definitivo da regra fiscal? Ainda “está sendo estudado”.
Jair tinha a Venezuela imaginária. Flávio agora apresenta a Argentina como inspiração. E Daniella oferece uma novidade ainda mais extraordinária:
o ajuste fiscal de Schrödinger - existe no discurso, mas ninguém sabe ainda onde está.
- Julio Benchimol Pinto



Comentários