O Interruptor

 10/1-


Agora entendemos por que a questão do sigilo é tão explosiva.

Durante meses, nós conhecemos algumas partes do Caso Master; outras continuavam no escuro.


Quando André Mendonça começou a retirar sigilos, apareceram documentos envolvendo Alexandre de Moraes, servidores do Banco Central e integrantes da estrutura de Vorcaro.


Mas ficaram de fora outras investigações. Entre elas, inicialmente, Dark Horse, Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e Jaques Wagner.


Depois da pressão de ministros, da PGR e de Fachin, Mendonça abriu nova leva de procedimentos. 


Agora sabemos algo ainda mais importante: mais de 30 quebras de sigilo bancário e fiscal relacionadas ao Master continuam sob reserva, inclusive dados envolvendo empresas ligadas a Vorcaro e a Fabiano Zettel. Fachin determinou maior abertura, preservadas diligências ainda em curso. 


Sigilo judicial pode ser perfeitamente legítimo, às vezes indispensável. O problema começa quando ninguém consegue compreender qual critério acende uma luz e mantém outra apagada.


Porque justiça não pode funcionar como iluminação de teatro: um refletor sobre o adversário, escuridão sobre o aliado e um ministro segurando o interruptor.


- Julio Benchimol Pinto

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