Não Estou Lhe Pedindo Amor; Estou Lhe Pedindo O Resto Da Notícia ;
Quem acompanha meus posts sabe onde pus a lupa nas últimas semanas: Banco Master, STF, Vorcaro, Flávio Bolsonaro, facões cenográficos e a transformação da política em espetáculo.
Mas há uma pergunta intelectualmente honesta a fazer: e enquanto isso?
Enquanto isso, Lula fazia campanha - e governava.
Só entre 8 e 17 de setembro, o governo criou e ampliou unidades de conservação, abriu créditos extraordinários, mexeu na tributação de combustíveis, criou o Fundo de Crédito à Exportação e adotou medidas para garantir o abastecimento de diesel em meio à crise internacional. Depois vieram o financiamento de veículos para taxistas e trabalhadores de aplicativos, o Redata para datacenters, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e, nesta quinta, a correção do Bolsa Família pelo INPC.
E não foi sentado no Planalto esperando a urna. Nas últimas duas semanas, Lula alternou expediente presidencial e campanha, passando pelo interior de São Paulo, Curitiba, Ceilândia e, hoje, Montes Claros, onde visitou o novo complexo industrial da Eurofarma.
Isso não canoniza ninguém. Presidente trabalhar não é milagre; é obrigação. As medidas podem e devem ser discutidas - pelo mérito, pelo custo e, em período eleitoral, também pelo timing político.
Mas há uma diferença entre fiscalizar um governo e montar a câmera de modo que só apareça o escândalo.
Não mudo a régua: quando há suspeita, cobro prova; quando há facão, mostro o teatro;
quando há governo, registro o governo.
Porque a política brasileira já tem propaganda demais. O que ela não precisa é de amputação da realidade.
- Julio Benchimol Pinto



Comentários