E Então O Supremo Entrou Dentro Do Processo Que Deveria Julgar
9/12 -
Esta é a parte mais grave.
Porque agora não estamos falando de um senador, de um pastor ou de um empresário; estamos falando do tribunal encarregado de julgar tudo isso.
Dias Toffoli foi o primeiro relator do Caso Master e posteriormente declarou suspeição por foro íntimo nos processos relacionados ao banco.
Depois vieram os questionamentos envolvendo Alexandre de Moraes. O escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, tinha contrato milionário com o Master. E relatórios da PF passaram a examinar contatos atribuídos a Vorcaro com o próprio ministro.
Então surgiu outro problema. André Mendonça, justamente o ministro que passou a investigar tudo isso, também entrou na história. Sua condução do caso passou a ser contestada por outros ministros e pela PGR. Houve acusações de divulgação seletiva de documentos, decisões conflitantes, afastamento da cúpula da PF e uma guerra aberta dentro do Supremo.
Edson Fachin precisou intervir. E determinou maior abertura dos autos.
Perceba o tamanho do abismo: o Supremo precisa investigar relações de ministros do Supremo usando uma investigação conduzida por outro ministro do Supremo cuja própria atuação passou a ser questionada pelo Supremo.
Kafka teria pedido um organograma.
O problema já não é saber apenas quem fez o quê, mas saber se ainda existe uma instituição com autoridade suficiente para descobrir.
- Julio Benchimol Pinto



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