Cada Uma Resgata Vidas Como Phode
Eu achava que o projeto Resgatando Vidas entrava no presídio para salvar almas.
Pelo relatório da Polícia Civil, algumas missionárias aparentemente entenderam a missão com entusiasmo… corporal.
Tinha grupo de WhatsApp chamado “As Faixa Rosa Evangélica” e lista de presos em ordem alfabética, porque até a libertinagem, graças a Deus, precisa de método científico.
Uma dizia que visitaria um por um, em dias diferentes, para ninguém ficar brigado.
Outra resumiu a vocação pastoral com uma frase que merece vitral: “Não basta ser bandido, tem que ser preso.”
E houve ainda a investigação sobre aquela que talvez seja a mais ecumênica das funções litúrgicas: segurar a cortina.
Esqueça “Ide e pregai o Evangelho”. Ali, segundo a polícia, parecia mais: Ide, organizai a agenda, separai os irmãos e, pelo amor de Deus, segurai essa cortina direito.
O nome da operação policial? FARISEUS. Quando a realidade escolhe o nome da sátira, o cronista fica praticamente desempregado.
No fim, talvez o projeto não estivesse errado. Cada uma realmente tentava resgatar vidas. Só variava bastante o método.
Cada uma resgata vida como phode.
– Julio Benchimol Pinto



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