Quando A Coincidência Começa A Pedir Explicações
A notícia de hoje acrescentou mais uma peça ao quebra-cabeça.
Mensagens obtidas pela PF mostram uma assessora de Flávio Bolsonaro negociando uma emenda de quase R$ 200 mil com Robson “Peixe” Calixto - homem que depois seria condenado pelo STF por integrar organização criminosa ligada aos irmãos Brazão. A assessora chegou a orientá-lo a procurar Flávio pessoalmente. A PF investiga suspeita de desvio dos recursos.
Isso, sozinho, não prova crime de Flávio. Mas sozinho já não está.
Flávio é formalmente investigado no STF no caso Dark Horse, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. Foi ele quem procurou Daniel Vorcaro para levantar R$ 61 milhões para a produção.
Há ainda Willer Tomaz, amigo de Flávio e investigado pela PF no escândalo do INSS. Os dois viajaram juntos - inclusive num safári na África do Sul - e, já durante a campanha, Flávio utilizou um apartamento pertencente a uma empresa de Tomaz. O imóvel havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Antes disso houve o caso das rachadinhas. O Ministério Público denunciou Flávio por peculato, lavagem e organização criminosa. A denúncia acabou rejeitada depois que STJ e STF anularam provas por irregularidades processuais. Não houve julgamento de mérito declarando que os fatos nunca ocorreram.
E existe o capítulo Adriano da Nóbrega: homenageado por Flávio na Alerj, enquanto mãe e ex-mulher do miliciano trabalharam em seu gabinete.
Nada disso autoriza condenação por associação. Mas investigação não é fofoca, coincidência não é absolvição e amizade não substitui explicação.
A regra deveria ser elementar: a mesma lupa para todos - sobretudo quando ela começa a encontrar tanta coisa no mesmo endereço político.
- Julio Benchimol Pinto



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