Pastor, Papelaria E Dark Horse
Primeiro veio o motel.
O vice-presidente da Assembleia de Deus de Brasília virou o célebre “pastor Talarico”, acusado de adultério com a mulher de um fiel. Renunciou. Escândalo moral. Pecado. Lágrimas. Bíblia.
Só que agora o problema saiu do motel e entrou na Polícia Federal.
A PF e a CGU investigam a Associação Beneficente Evangélica, ligada à igreja, que administrou cerca de R$ 117 milhões em contratos públicos entre 2012 e 2025. Segundo a investigação, parentes ocupavam cargos, empresas familiares recebiam recursos e uma papelaria da nora - subitamente vocacionada ao “ensino de música” - teria recebido cerca de R$ 420 mil.
E então surge a cereja ungida do bolo:
Ademar de Sena Sampaio, primeiro-tesoureiro da mesma igreja e apontado pela PF como participante da estrutura investigada, também é alvo de outra operação - justamente a que investiga recursos relacionados ao Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Ademar aparece ainda ligado empresarialmente a Karina da Gama e politicamente próximo de Mário Frias.
É muita coincidência para uma série só.
Falta descobrir se o gênero é drama religioso, policial ou comédia política.
Talvez seja tudo junto.
– Julio Benchimol Pinto



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