Antes De Embarcar, Olhe O Diario De Bordo
Lula e Flávio Bolsonaro não têm trajetórias simétricas.
Lula saiu do chão de fábrica, liderou greves contra a ditadura, perdeu três, venceu três para presidente.
Flávio nunca governou o Brasil. É senador e candidato à Presidência. Seria desonesto atribuir-lhe pessoalmente tudo o que fez Jair Bolsonaro. Mas seria igualmente desonesto fingir que surgiu do nada: sua candidatura reivindica o bolsonarismo, sua base política e boa parte de sua agenda.
E aqui começa uma diferença histórica impossível de apagar.
Jair Bolsonaro foi declarado inelegível pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao atacar, sem provas, o sistema eleitoral.
No meio ambiente, números são ainda menos ideológicos que discursos: o desmatamento amazônico ultrapassou 13 mil km² em 2021, durante Bolsonaro. Em 2025, já no governo Lula, caiu para cerca de 5,7 mil km².
Nos direitos sociais também há escolhas concretas. Lula recriou estruturas específicas para Igualdade Racial e Povos Indígenas, retomou demarcações e instituiu políticas afirmativas.
Isso não transforma Lula em santo. Governos devem ser cobrados, investigados e criticados. Democracia não precisa de santos; precisa de memória.
Imagine o Brasil como um avião levando seus filhos e seus netos.
Antes de escolher a tripulação, você não pergunta quem grita melhor ou quem odeia as mesmas pessoas que você.
Você examina o diário de bordo: quem já pilotou, como pilotou, que regras respeitou, que floresta deixou para trás, quem coube dentro do país - e quem foi empurrado para fora dele.
Por isso, aos que ainda hesitam, eu faria apenas um pedido: não votem por ódio, não votem por culto, não votem por sobrenome - leiam o diário de bordo e decidam.
Porque dentro desse avião estarão todos nós - e, principalmente, aqueles que ainda nem aprenderam a votar.
- Julio Benchimol Pinto



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