Brasília Descobriu A Monarquia Eletiva
Preciso corrigir uma injustiça com Michelle Bolsonaro.
Dizer que ela não tem capital político é falso.
Ela possui um dos capitais mais rentáveis da política brasileira contemporânea: o sobrenome certo no CEP certo.
Nunca disputou eleição. Em sua primeira candidatura, lidera as pesquisas para o Senado no Distrito Federal. A campanha põe musiquinha, repete “Michelle Bolsonaro, nossa senadora”, dança com Bia Kicis e transforma política pública em trilha sonora.
E o prodígio não termina nela.
O irmão Diego vai de primeiro suplente. Não precisa receber um único voto nominal para eventualmente sentar-se no Senado. Outro irmão, Eduardo, concorre a deputado distrital. Bia Kicis, parceira da dobradinha, escalou o próprio filho para suplente.
Até o horário eleitoral dos outros entrou na árvore genealógica: numa propaganda de Alberto Fraga, Michelle apareceu 12 segundos, Bia outros 12 e sobraram cerca de quatro para… Alberto Fraga. O TRE mandou suspender.
É difícil imaginar sátira que concorra com o original.
Estamos falando da Capital da República. Lugar onde se discutem orçamento, pacto federativo, Constituição, dívida pública, segurança, saúde e educação.
Mas talvez tenhamos complicado demais.
Currículo? Programa? Obra? Experiência eleitoral?
Ponha um sobrenome conhecido, acrescente dois irmãos, um filho, alguns aliados, bata tudo com piseiro e sirva no horário eleitoral.
Max Weber chamou isso de dominação carismática.
Brasília aperfeiçoou o conceito: transformou carisma em franquia familiar - e ainda colocou jingle.
- Julio Benchimol Pinto



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