A Rachadinha Que Se Recusa A Morrer

A rachadinha de Flávio Bolsonaro ganhou uma especialidade brasileira: morrer no processo e reaparecer no extrato bancário.


Gilmar Mendes acaba de manter a quebra de onze anos de sigilos bancário e fiscal de Danielle Nóbrega, ex-assessora de Flávio e mulher de Adriano da Nóbrega.


Danielle não é figurante dessa novela.


Segundo as investigações do MP, ela repassou dinheiro a Fabrício Queiroz. Mensagens apreendidas mostraram Queiroz perguntando quanto ela havia recebido porque precisava “prestar a conta”.


O velho processo criminal naufragou depois da anulação de provas. Isso não equivaleu a uma declaração de inexistência dos fatos - e o próprio Gilmar já registrou que novas provas lícitas podem sustentar nova investigação.


Agora aparece outro fio.


Em 2026, a Operação Legado encontrou uma estrutura de lavagem atribuída ao grupo de Adriano da Nóbrega. Uma empresa de estética dessa rede - um modesto negócio que movimentou mais de R$ 2 milhões - transferiu R$ 6.300 para Queiroz em 2017, quando ele ainda estava no gabinete de Flávio.


E 2017 está dentro do período dos extratos de Danielle que agora poderão ser examinados.


A pergunta deixou de ser apenas o que havia nas provas anuladas e passou a ser: o que existe nas provas que ainda não conhecemos?


Porque processo pode ser arquivado, mas extrato bancário, infelizmente para alguns personagens, tem memória.


- Julio Benchimol Pinto

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