O Brasil Chegou Pela Primeira Vez, ao Patamar de " Muito Alto Desenvolvimento Humano" no IDHM: 0,805
Boa notícia, mas convém não soltar fogos antes de olhar o mapa.
O dado não caiu do céu. Ele tem relação direta com políticas públicas: SUS, escola pública, Bolsa Família, salário mínimo, permanência escolar, proteção social. O Brasil melhorou onde o Estado funcionou. Onde o Estado faltou, a desigualdade continuou dando expediente.
A educação puxou o avanço. A saúde segurou boa parte do resultado. A renda melhorou menos. E, quando entram raça, gênero e território, a festa estatística perde o confete: brancos seguem melhor que negros; homens seguem melhor remunerados que mulheres; o Distrito Federal aparece lá em cima; Maranhão e Alagoas continuam carregando o Brasil real nas costas.
Esse dado é uma régua poderosa para 2026.
Lula tende a dizer: “o Estado social funciona”. E, neste ponto, o IDHM lhe dá munição.
Flávio Bolsonaro tende a fugir para Trump, guerra cultural, crime, comunismo imaginário e escândalo real. Mas IDHM não melhora com foto no Salão Oval, pose de estadista terceirizado nem pedido de bênção ao império.
Caiado tentará vender gestão, ordem e conservadorismo. Mas, se a grande promessa vira anistia a Bolsonaro, o debate sai da escola, da saúde e da renda para o puxadinho penal da extrema direita.
Zema falará em Estado mínimo, privatização e ajuste. O problema é que o IDHM mostra justamente o contrário: desenvolvimento humano não nasce da planilha sozinha, mas sim de política pública persistente.
A notícia, portanto, é ótima, mas não é neutra.
Ela mostra que o Brasil avança quando investe em gente. E mostra também que a desigualdade brasileira continua filtrando quem chega primeiro, quem chega depois e quem nem é chamado para a fila.
O país melhorou, mas a pergunta séria é outra: melhorou para quem, onde, com qual cor, com qual gênero e com qual renda?
Em 2026, candidato que responder a isso fala de Brasil. Os demais estão apenas fazendo cosplay de estadista.
Julio Benchimol Pinto



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