Israel e Palestina Além da Guerra
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Saúde palestina: medicina comunitária sob colapso e restrição
Paciente palestina de Gaza recebendo tratamento no Augusta no Victoria Hospital, em Jerusalém Oriental.
A saúde palestina não é apenas " ajuda humanitária"
É infraestrutura social.
É ambulância tentando passar por checkpoint. É clínica comunitária em campo de refugiados. É médico sem equipamento suficiente. É enfermeira atendendo criança traumatizada. É paciente de câncer esperando autorização para cruzar fronteiras. É família que transforma deslocamento médico em drama político, burocrático e existencial.
A Palestinian Medical Relief Society nasceu em 1979, criada por médicos e profissionais de saúde palestinos, para responder a uma infraestrutura insuficiente. A UNRWA, apesar de todas as disputas e ataques políticos, segue sendo uma das principais bases de atenção primária para refugiados palestinos. O Augusta Victoria Hospital, em Jerusalém Oriental, é referência vital para pacientes da Cisjordânia e de Gaza, especialmente em oncologia, nefrologia, hematologia e radioterapia.
Isto não é um detalhe técnico, mas sim uma sociedade tentando não desabar.
Quando se fala em Palestina apenas como guerra, Hamas, ruína ou palavra de ordem, apaga-se essa rede concreta de cuidado: médicos, agentes comunitários, hospitais, clínicas móveis, fisioterapeutas, psicólogos, voluntários, mães carregando exames, avós esperando remédio, crianças que precisam de tratamento antes de qualquer discurso.
A ocupação, o bloqueio, a guerra, a fragmentação territorial e o colapso institucional transformam saúde em travessia.
E ainda assim há gente cuidando.
Talvez seja isto que a desumanização não suporte: descobrir que, antes de virar causa, número ou manchete, o palestino também é paciente, médico, enfermeira, família, corpo vulnerável e vida concreta pedindo futuro.
Julio Benchimol Pinto



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