Brasília Tem Cada Figura Que Ate Belzebu Deve Passar na Chaleira

 Magno Malta passou mal no estacionamento do Congresso, foi levado ao hospital, teve infarto descartado e apareceu em vídeo dizendo que estava numa “batalha espiritual”.

Pronto. Brasília finalmente encontrou a explicação metafísica para a votação da dosimetria.


O senador não teve apenas queda de pressão. Segundo a teologia parlamentar de plantão, ele foi abatido por forças invisíveis no front místico do Senado Federal. Não era estacionamento; era Armagedom com vaga rotativa.


Ali, entre carros oficiais, seguranças, assessores, emendas, vetos, PECs e cafezinho requentado, travou-se uma guerra espiritual de altíssima complexidade. De um lado, Magno Malta, guerreiro da fé, da tribuna e do microfone. Do outro, aparentemente, uma entidade demoníaca especializada em pressão arterial.


Satanás, convenhamos, já foi mais ambicioso. Antes tentava reis, profetas e santos no deserto. Agora, pelo visto, fica rondando o Congresso para derrubar senador no estacionamento em dia de votação. Baixou o nível até no inferno. Deve ser contingenciamento.


No vídeo, Magno aparece no hospital dizendo que queria estar no plenário, pedindo oração e falando em ataque espiritual. A cena é preciosa: o corpo pedindo soro, repouso e exame; a retórica pedindo exorcismo, holofote e engajamento.


É o bolsonarismo em sua forma mais pura: até a tontura precisa virar cruzada.


Se a pressão cai, é perseguição. Se desmaia, é batalha espiritual. Se a tomografia dá normal, foi livramento. Se o médico fala em observação clínica, entra a bancada do enxofre para pedir CPI do capeta.


E a pergunta que fica é inevitável: se havia mesmo guerra espiritual no Congresso, por que o demônio atacaria logo Magno Malta? Com aquele elenco todo disponível?


Brasília tem cada figura que até Belzebu deve passar pela chapelaria, olhar em volta e dizer: "Hoje não. Aqui já está tudo encaminhado".

Julio Benchimol Pinto

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