O Brasil Precisa Amadurecer Politicamente Antes Que Seja Tarde
Em pleno século 21, ainda há gente votando como se estivesse escolhendo santo de devoção, chefe de torcida organizada ou personagem de novela. Não se olha o projeto de país, não se examina o campo político, não se compara o que cada grupo fez quando teve poder, o que destruiu, o que preservou, o que prometeu, o que entregou e o que ameaça fazer de novo.
Olha-se a cara, o gesto, a frase pronta, a bravata, a simpatia pessoal, o mito de estimação, o herói de bolso, o salvador da pátria embalado para consumo emocional imediato.
Depois o país paga a conta.
Votar não é ato de fé; é decisão política. E decisão política exige memória, comparação, critério e alguma desconfiança saudável. Quem pede cheque em branco geralmente quer usar caneta sem fiscalização.
Nas próximas eleições, o convite é simples: vamos fazer diferente.
Antes de escolher um nome, olhemos o campo político que ele representa. O que essa turma fez quando governou? Como tratou a democracia? Como lidou com pobres, trabalhadores, empresários, instituições, universidades, ciência, meio ambiente, cultura, liberdade de imprensa, minorias, impostos, serviços públicos e corrupção? Que avanços pode consolidar? Que retrocessos pode trazer? Que coisas boas hoje existentes pretende desmontar? Que coisas ruins promete manter, piorar ou fingir que não existem?
A política brasileira já produziu heróis demais e cidadania de menos. Chega de votar ajoelhado diante de mito; chega de entregar o país à sedução de um rosto, de um bordão, de uma dancinha ou de uma raiva bem administrada por marqueteiros.
Democracia não precisa de messias; precisa de eleitor adulto. E eleitor adulto não adora candidato, mas, ao contrário, examina, cobra, compara e desconfia.
Porque mito nenhum governa sozinho. Quem governa é o projeto que vem atrás dele. E é aí, justamente aí, que mora o perigo.
Julio Benchimol Pinto



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