O Banco Master Parece Ter Virado Uma Espécie de Caixa-Preta do Bolsonarismo Fluminense
De um lado, o governo Cláudio Castro colocou dinheiro do Rioprevidência no banco de Daniel Vorcaro. Não troco de cafezinho: coisa de R$ 3 bilhões, envolvendo recursos de aposentados e pensionistas do Rio.
Do outro, Flávio Bolsonaro tratava com o mesmo Vorcaro do financiamento de Dark Horse, a cinebiografia heroica de Jair Bolsonaro. Segundo o Intercept, eram R$ 134 milhões em negociação. Flávio confirmou que pediu dinheiro. A produtora nega ter recebido. O dinheiro, como sempre nesses enredos edificantes, parece ter desenvolvido vocação contemplativa: saiu de algum lugar, passou por intermediários e ninguém sabe exatamente onde pousou.
A cronologia é venenosa. Enquanto o Master recebia dinheiro previdenciário bilionário, o herdeiro político do bolsonarismo cobrava o banqueiro por parcelas do filme do pai. Em outubro de 2025, Flávio já dizia que estavam “no limite”. Em novembro, chamou Vorcaro de “irmão” e escreveu que estaria com ele “sempre”. No dia seguinte, Vorcaro foi preso.
É quase cinema. Só que, em vez de Dark Horse, saiu faroeste contábil. O banqueiro fazia o papel de mecenas. O senador, de produtor aflito. O governador, de gestor de previdência generoso. E o aposentado do Rio, como sempre, entrou como figurante mudo pagando a conta.
Julio Benchimol Pinto
* Imagem gerada por IA.



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