Flavio Bolsonaro Descobriu Uma Nova Modalidade de Defesa Pública : Confessar o Pedido e Negar o Problema

 


Segundo ele, não havia nada demais. Era apenas “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.



Comovente. No Brasil profundo, o filho pede bênção ao pai; no bolsonarismo cinematográfico, pede milhões ao banqueiro do Banco Master.


O detalhe pitoresco é que a produtora responsável por Dark Horse disse que não recebeu “um único centavo” de Daniel Vorcaro.


Então ficamos assim: Flávio pediu dinheiro para o filme; Vorcaro teria topado financiar; a produtora diz que não recebeu; Flávio chamava o banqueiro de “irmão” e prometia estar com ele “sempre”.


E, no meio desse roteiro de baixo orçamento moral e orçamento milionário, o mercado entendeu tudo antes dos patriotas: o dólar disparou, a bolsa caiu...


... e a direita entrou em modo necrotério eleitoral. Zema chamou de “tapa na cara do Brasil”. Caiado pediu transparência, essa entidade mística que só aparece na boca da direita quando o escândalo é dos outros. E, nos grupos bolsonaristas, já há quem queira trocar Flávio por Michelle, porque até o gado percebe quando o cavalo escurece demais.


Enquanto isso, Flávio pede CPI do Banco Master. É uma ideia ótima. Nada melhor do que instalar uma CPI para investigar um banco cujo dono foi chamado de “irmão” pelo pré-candidato que agora tenta explicar por que pedia milhões a ele na véspera da prisão.


O filme era Dark Horse, mas o gênero mudou: começou como cinebiografia, virou documentário policial e, se Vorcaro resolver colaborar de verdade, ainda pode terminar como delação premiada em sessão da tarde.


Julio Benchimol Pinto

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