Eduardo Bolsonaro E O Patriotismo de Exportação

 


Eduardo Bolsonaro conseguiu uma façanha rara: transformar o nacionalismo de camiseta amarela em pedido de intervenção estrangeira com ar-condicionado em Washington.

A Procuradoria-Geral da República pediu ao STF sua condenação por coação no curso do processo. A acusação é grave: Eduardo teria atuado junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras, defender sanções e criar constrangimento internacional contra o julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.


Em português claro, o deputado brasileiro teria tentado usar potência estrangeira para intimidar o Judiciário brasileiro em favor do próprio pai.


É o patriotismo de duty free.


Essa gente passa anos gritando “soberania nacional”, “Brasil acima de tudo”, “fora interferência estrangeira”. Mas, quando a Justiça brasileira bate à porta, corre para pedir socorro em inglês.


O curioso é que o bolsonarismo sempre tratou qualquer crítica internacional ao Brasil como complô globalista. Mas, quando a pressão externa favorece a família, deixa de ser ingerência e vira “diplomacia da liberdade”.


Liberdade, no caso, significa tentar livrar o patriarca condenado.


A denúncia contra Eduardo não trata de opinião dura, bravata de rede social ou discurso parlamentar inflamado, mas sim da acusação de usar articulação internacional para constranger um processo judicial em andamento.


É por isso que o caso importa.


Porque uma coisa é criticar ministro, tribunal ou sentença; outra, bem diferente, é sair pelo mundo pedindo sanção contra o próprio país para proteger um réu condenado por tentar subverter a democracia.


A família que se dizia dona do monopólio do patriotismo agora aparece acusada de terceirizar a pátria. E nem precisou de globalismo; bastou um sobrenome.

        Julio Benchimol Pinto

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