O Oriente Médio Não Está Apenas em Guerra; Também Está em Reconfiguração

 O Oriente Médio entrou numa daquelas fases em que o mapa continua o mesmo, mas o poder já mudou de lugar.



O Hezbollah, durante anos tratado como braço avançado do Irã no Mediterrâneo, agora apanha em várias frentes.


Israel intensificou os ataques no sul do Líbano.


O Estado libanês, pressionado por uma guerra que não escolheu como política nacional, volta a discutir o óbvio que sempre foi interditado: nenhum país é plenamente soberano quando uma milícia armada decide sozinha quando haverá paz e quando haverá guerra.


E a grande ironia geopolítica veio da Síria. A Síria de Ahmed al-Sharaa, ex-Abu Mohammed al-Joulani, antigo jihadista, fundador da Frente al-Nusra e depois líder da Hayat Tahrir al-Sham, agora se move contra o Hezbollah. Damasco deixou de ser o corredor dócil do eixo Assad–Irã–Hezbollah e passou a tratar o Hezbollah como ameaça.


Para o Irã, isto é uma hemorragia estratégica. O corredor terrestre que ligava Teerã, Bagdá, Damasco e Beirute rachou. O velho tabuleiro persa no Levante já não obedece à mesma geometria.


O Oriente Médio não está apenas em guerra; também está em reconfiguração.

Julio Benchimol Pinto

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