Silas Malafaia e a Benção Parcelada Em Oito Vezes
Silas Malafaia descobriu uma modalidade revolucionária de evangelização: a bênção parcelada em até oito vezes.
O pastor anunciou um encontro para empresários e empreendedores num hotel de luxo em Águas de Lindoia. Pacotes a partir de R$ 4 mil, podendo chegar a R$ 5,8 mil. Quem não quiser dormir ungido no resort pode pagar só R$ 1.500 para assistir às palestras. Criança também entra no reino dos boletos: de 5 a 11 anos, R$ 1.200.
Mas calma. Ele avisou que não é coach. Não vai ensinar ninguém a ganhar dinheiro. Não vai ensinar administração. Vai apenas entregar uma “palavra bíblica, profética” para abençoar família, negócios e trabalho.
Ou seja, não é consultoria empresarial; é o Sebrae do dízimo gourmet.
A cena resume com precisão cirúrgica uma parte importante do bolsonarismo religioso: grita contra a “elite”, posa de defensor do povo simples, fala em perseguição, família e valores cristãos, mas, na hora do culto executivo, o sermão vem com hospedagem, resort, pulseirinha, buffet e maquininha.
Jesus multiplicou pães e peixes; Malafaia multiplicou pacotes.
E ainda há quem ache que o problema do Brasil é professor de universidade pública, artista, feminista, comunista imaginário ou ministro do STF. O problema, para essa turma, nunca é o pastor-transformer que alterna púlpito, palanque e balcão de vendas com a desenvoltura de quem prega humildade olhando a diária do hotel.
No fim, é tudo muito coerente. O bolsonarismo sempre prometeu salvação nacional. Só esqueceram de avisar que era meia pensão, em apartamento duplo, mediante confirmação de pagamento.
A fé remove montanhas. E, pelo visto, também passa no cartão.
Julio Benchimol Pinto



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