O Conselho de Ética Aprovou a Suspensão de Zé Trovão Por 60 Dias
O Conselho de Ética aprovou a suspensão de Marcos Pollon, Marcel van Hattem e Zé Trovão por 60 dias. O motivo: a ocupação da Mesa Diretora da Câmara em agosto de 2025, quando bolsonaristas resolveram transformar o plenário em acampamento performático da anistia.
A punição ainda depende da CCJ e do Plenário. Mas o espetáculo já entregou sua cena principal: Zé Trovão chorando.
Sim, ele chorou.
Chorou porque a suspensão atingiria cerca de 20 famílias de assessores. Chorou dizendo que era vítima de perseguição. Chorou como se estivesse sendo punido por uma divergência de ideias, não por ter participado de uma ação física para impedir o funcionamento normal da Câmara.
O detalhe é que, segundo a própria Câmara, Zé Trovão usou o corpo para barrar o acesso do presidente Hugo Motta à Mesa Diretora. E, no mesmo desabafo lacrimoso, ainda disse que, se fosse preciso tomar a Mesa novamente, faria de novo.
É o valentão institucional em sua forma mais pura: ocupa a Mesa, bloqueia o presidente, posa de mártir, culpa o STF, invoca injustiça, chora pelos efeitos da punição e promete repetir o ato que gerou a punição.
A extrema direita brasileira descobriu uma modalidade curiosa de heroísmo: o motim com soluço.
Quando é para intimidar instituição, peito estufado. Quando vem a conta, lenço na mão.
Zé Trovão não foi punido por opinião. Foi punido porque parlamentar não é dono do Parlamento. Mandato não é salvo-conduto para interditar a Câmara. Democracia não é picadeiro de valentão arrependido pela metade.
Chorou? Que chore. Mas chore respeitando o regimento.
Julio Benchimol Pinto



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