A Extrema Direita Brasileira Acaba de Inventar Ums Nova Modalidade de Militância: O Culto ao Detergente

    


Bastou a Anvisa suspender lotes de produtos da Ypê por falhas de produção e risco microbiológico para a tropa entrar em transe: já não era mais fiscalização, era perseguição; já não era agência reguladora, era soviete da espuma, já não era produto de limpeza, era mártir da liberdade.



Michelle Bolsonaro apareceu com Ypê no story e pronto: o sabão virou bandeira, o desinfetante virou manifesto, o lava-louças entrou para a resistência democrática. Em breve teremos hino, camiseta, carreata e senhoras em porta de quartel exigindo liberdade para o amaciante.


O motivo real do chilique? Integrantes da família controladora da empresa doaram dinheiro para Bolsonaro em 2022. Logo, na lógica dessa turma, qualquer investigação, autuação ou fiscalização posterior só pode ser vingança política. Ciência? Laudo? Inspeção? Risco sanitário? Bobagem. O que vale é saber em quem o dono votou.


Então fica a pergunta, apenas por coerência - este animal em extinção no zoológico bolsonarista: se doação de campanha transforma empresa em santa perseguida, os patriotas também vão sair em defesa do entorno do Banco Master?


Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, doou R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio em 2022. Vai ter story com cartão do Master? Vai ter Michelle fazendo publi de CDB? Vai ter bolsonarista dizendo que investigação financeira é perseguição comunista ao banqueiro conservador?


Porque aí ao menos haveria método no delírio.


O problema nunca foi a Anvisa. O problema é que, para essa turma, instituição só presta quando absolve os amigos, persegue os inimigos e transforma conveniência política em dogma religioso.


No bolsonarismo, até detergente precisa declarar voto. E, se declarar o voto certo, sai limpinho, mesmo quando a sujeira está justamente no rótulo.

      Julio Benchimol Pinto

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