A Valentia Bolsonarista Tem Um Ciclo Biológico Muito Curioso

 


Na internet, é rugido. No palanque, é bravata. No cercadinho, é ameaça institucional. No WhatsApp da tia, é guerra civil com figurinha de bom dia.

Mas basta chegar o inquérito, o banco dos réus ou a cela, e o leão vira um pinscher asmático pedindo caminha, cobertor, chazinho e prisão domiciliar.


Agora é Filipe Martins. A defesa diz que ele está adoecendo na cadeia de Ponta Grossa, com frio, infiltração e perda de voz. A Polícia Penal do Paraná nega as condições narradas. Ou seja, por enquanto, temos a versão da defesa e o desmentido oficial. Mas a cena política já está pronta: mais um “guerreiro da liberdade” descobrindo que cadeia não é estúdio de podcast.


É sempre assim. Quando a cadeia é para pobre, preto, periférico, usuário de tornozeleira, mãe solo visitando filho preso ou réu sem sobrenome em nota oficial, a turma berra: “bandido bom é bandido morto”. Quando a lei chega perto da própria turma, vira seminário de direitos humanos, com certificado, tradução simultânea e vela aromática.


O bolsonarismo inventou uma espécie rara: o valentão de algodão - defende intervenção militar, AI-5, prisão de ministro, golpe, ruptura institucional, mas não aguenta uma gripe, uma infiltração alegada e uma noite em Ponta Grossa.


E aqui a piada vem pronta, com endereço e CEP: para quem passou anos engrossando contra a democracia, descobrir que a lei pode ser dura em Ponta Grossa parece ter sido uma experiência profundamente… pedagógica.


A República, às vezes, tem senso de humor.

     Julio Benchimol Pinto

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