Os Bolsonaristas Descobriram a China Pelo Fantástico e Entraram em Pane



A Globo mostrou Xangai, trem rápido, metrô funcionando, cidade planejada, tecnologia agrícola, comida fresca e disputa real entre China e Estados Unidos. Bastou isso para a infantaria do zapfare anunciar: propaganda comunista.

É sempre bonito ver a ignorância perdendo a compostura. O sujeito chama Trump de estadista, Milei de gênio, Bolsonaro de perseguido e pastor picareta de líder moral. Mas vê um trem chinês chegando no horário e enxerga Mao desembarcando no Projac.


No primeiro episódio, a série comparou Xangai e Nova York: a China que planeja, executa e constrói em escala; os EUA, ainda gigantescos, mas com infraestrutura envelhecida, obras caríssimas e política em surto permanente.


Hoje a comparação saiu dos trilhos e foi para o prato: a China tratando comida como estratégia de Estado, com mercados frescos, cadeias curtas, estoques, logística e tecnologia no campo; os EUA com comida mais cara, empacotada, ultraprocessada e dependente de cadeias longas; e o Brasil no lugar constrangedor de sempre, exportando soja para baratear a comida chinesa enquanto muita gente aqui faz malabarismo no supermercado.


A China é uma ditadura: tem censura, partido único e repressão. Não precisa pintar Pequim com aquarela progressista.


Mas reconhecer que a China planeja, constrói, alimenta, industrializa e disputa o século XXI com método não é virar comunista; é sair da creche geopolítica.


O bolsonarismo não suporta isso. Precisa de desenho infantil: EUA bons, China má, Globo comunista, Trump profeta, Bolsonaro mártir, mercado santo, Estado demônio.


A reportagem nem precisou militar. Fez pior: mostrou a realidade. E, para quem vive de delírio, a realidade é sempre agressão pessoal.


            Julio Benchimol Pinto

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