O Escândalo Master Começa a Escostar no Telhado Bolsonarista Pelo Lugar Mais Previsível a Industria da Narrativa
Thiago Miranda confirmou à PF um plano de “gestão de crise” e “marketing de guerrilha” para defender Daniel Vorcaro e atacar o Banco Central por meio de influenciadores digitais. O projeto tinha até nome de série ruim: “Projeto DV”.
E aí aparece o detalhe saboroso: Marcello Lopes, o Marcellão (foto), citado como integrante da equipe de estrategistas do plano, é também o publicitário escolhido para coordenar a comunicação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Marcellão nega ter participado da campanha contra o Banco Central e diz que os R$ 650 mil recebidos de Vorcaro se referiam a serviços anteriores. Pode ser. No Brasil, todo pagamento inconveniente costuma sofrer de nostalgia contábil: nunca é pelo problema de hoje, sempre por um serviço de ontem.
O ponto não é dizer que Flávio comandou o esquema. Isso, até agora, não está provado. O ponto é mais constrangedor: o escândalo Master começa a encostar no telhado bolsonarista pelo lugar mais previsível - a indústria da narrativa.
A mesma turma que vê “aparelhamento” em qualquer vírgula agora tem, no entorno da campanha presidencial, um marqueteiro citado num plano para atacar o Banco Central, defender banqueiro investigado e reembalar Vorcaro como personagem de streaming, com direito a inspiração em Michael Jordan e Lance Armstrong.
Nem a Netflix venderia esse roteiro sem pedir cortes por excesso de inverossimilhança.
Julio Benchimol Pinto



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