A Diferença Entre Lula e Flavio Bolsonaro na Casa Branca Cabe Numa Foto
Lula foi recebido como presidente do Brasil. Reuniu-se com Trump por quase três horas, acompanhado de ministros, para tratar de comércio, tarifas, crime organizado, minerais críticos e interesses concretos entre dois Estados. Trump saiu elogiando Lula como um presidente “muito dinâmico”. Lula saiu como estadista. Trump saiu como interlocutor de um líder mundial relevante.
Flávio chegou dias depois, acompanhado de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. Três homens em busca de uma imagem salvadora. Três devotos do trumpismo tentando transformar uma foto no Salão Oval em bula de remédio contra o escândalo Banco Master/Dark Horse.
E a foto é devastadora. Trump sentado; Flávio em pé. Trump no centro; Flávio na lateral. Trump ocupando a cadeira do poder; Flávio fazendo pose de estagiário ideológico que ganhou cinco minutos com o chefe estrangeiro.
Não é diplomacia; é submissão cenográfica. O Brasil, na visita de Lula, entrou pela porta da frente da política internacional. Na visita de Flávio, entrou como adereço de campanha de um pré-candidato chamuscado, tentando trocar explicação sobre Daniel Vorcaro por afago em inglês.
O pronunciamento posterior completou o retrato. Flávio tropeçou nas palavras e, no ato falho mais sincero da viagem, disse que fora convidado pelo “presidente Lula”. Corrigiu depois. Tarde demais. O inconsciente, esse comunista infiltrado, já tinha protocolado a peça.
Freud agradece. Laclau sorri. A sociologia pede um café. Porque ali estava tudo: o candidato que tenta negar Lula, mas só existe em contraste com Lula; o herdeiro político que precisa de Trump para parecer grande; o patriota de aeroporto que entrega soberania em troca de selfie; o discurso de força embalado em dependência colonial.
Lula foi à Casa Branca representar o Brasil; Flávio foi pedir colo simbólico. Um levou Estado; o outro levou crise. Um sentou-se à mesa da diplomacia; o outro ficou em pé na foto da subserviência.
Julio Benchimol Pinto



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