Deus, pátria, familia e Compliance internacional!
Eu estou muito emocionada, viu?
Finalmente temos um Bolsonaro fazendo política externa de verdade: vai aos Estados Unidos, beija a mão de Trump, conversa com Rubio e salva o Brasil do PCC, do CV, do comunismo, do Pix e da soberania nacional. Que orgulho!
Enquanto isso, esse povo invejoso fica falando de Banco Master, Cláudio Castro, RioPrevidência, Daniel Vorcaro, Dark Horse, pedido de dinheiro para filme do Mito, Flávio, Eduardo, tarifaço, sanções, milícia, Queiroz, rachadinha…
Não entendem nada. Tudo faz parte de uma estratégia espiritual muito profunda. Primeiro, dinheiro de aposentado do Rio vai parar em banco cheiroso. Depois, aparece um banqueiro viril e patriota. Depois, o banqueiro afunda no escândalo. Depois, o Cavalo Manco do filme começa a mancar. Depois, Flávio corre para Trump. Depois, Trump classifica PCC e CV como terroristas. Depois, todo bolsonarista grita: “Viu? Lula defende bandido!”
É uma obra de engenharia moral. Quase um milagre. Só faltou a tia da igreja passar a sacolinha em dólar.
O Brasil é soberano, sim. Soberano para obedecer Trump, agradecer Rubio, aplaudir tarifa contra produto brasileiro e chamar isso de independência.
Antigamente, traidor entregava o país escondido. Hoje entrega sorrindo no Salão Oval, chama de “grande dia” e ainda tem patriota de coleira abanando o rabinho em inglês: Thank you, Mister Trump!
O mais lindo é ver uma família cercada por milícia, rachadinha, Queiroz, golpe, tarifaço, sanção e banco podre posar de cruzada contra o crime organizado. É como botar o lobo para dar palestra sobre segurança do galinheiro.
Mas eu apoio, tá?
Se Trump manda, é soberania. Se o Brasil reage, é comunismo. Se Flávio pede intervenção, é patriotismo. E se o Cavalo Manco tropeça no Banco Master, a gente chama o pastor, troca de assunto e culpa o PCC.
Deus, pátria, família e compliance internacional!
*Imagem gerada por IA. Qualquer semelhança com submissão real, vira-latismo diplomático e patriotismo de coleira talvez não seja mera coincidência.
Julio Benchimol Pinto



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