Três Homens Foram Assassinados Diante de Uma Mesquita em San Diego
Os atiradores eram dois adolescentes. Chegaram de camuflagem, abriram fogo contra fiéis do lado de fora do Islamic Center of San Diego e depois foram encontrados mortos. Entre as vítimas estava um segurança da mesquita, apontado pelas autoridades como alguém que provavelmente impediu uma carnificina ainda maior. Crianças estavam no complexo, onde também funciona uma escola islâmica. Saíram vivas. Isso, nos Estados Unidos de hoje, já virou quase boletim de milagre.
A polícia investiga o caso como possível crime de ódio. Encontrou sinais de retórica extremista. Ainda falta concluir motivação, rede, planejamento, grau de radicalização. Mas uma coisa dispensa doutorado em sociologia da pólvora: quando ódio religioso encontra adolescente armado, culto à violência e país viciado em explicar massacres como se fossem tempestades tropicais, o resultado costuma vir com sirene, entrevista coletiva e velas na calçada.
O detalhe obsceno é este: a mãe de um dos suspeitos já havia alertado que o filho estava desaparecido, possivelmente em crise, e que armas tinham sumido. O alarme tocou antes; a tragédia chegou depois. Como sempre, os EUA descobriram o incêndio olhando as cinzas.
Muçulmanos foram rezar; voltaram no noticiário. E amanhã algum patriota de coldre explicará, com ar grave, que o problema não é arma demais, ódio demais, radicalização demais, supremacismo demais, desamparo demais. O problema, claro, deve ser a porta da mesquita, que insistiu em ficar no caminho das balas.
Há países que protegem templos. Há países que protegem arsenais. Os Estados Unidos ainda fingem não saber a diferença.
Julio Benchimol Pinto



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