Flavio Bolsonaro Passou a Fantasia do Bolsonarista Domesticado Só Que Não
Flávio Bolsonaro passou os últimos meses tentando vender à Faria Lima a fantasia do bolsonarista domesticado: menos grito, mais planilha; menos cercadinho, mais mercado. A fantasia rasgou quando Daniel Vorcaro entrou em cena.
A revelação das tratativas milionárias para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, jogou Flávio no centro de um enredo tóxico. O filho pré-candidato aparece negociando recursos para a canonização cinematográfica do pai com um banqueiro enroscado no escândalo do Banco Master. Fica difícil posar de gestor equilibrado quando o roteiro em volta cheira a comitê, banco e crise.
Segundo Lauro Jardim, trackings privados encomendados por um grande banco mediram o estrago. O sinal, se confirmado, é péssimo: depois da explosão do caso Flávio-Vorcaro, Lula teria aberto sete pontos sobre o Zero Um.
Como se fosse pouco, crescem as pressões por CPI do Banco Master. No Rio, Cláudio Castro, aliado de Flávio e nome do PL ao Senado, virou mais um problema depois da operação da PF no caso Refit. O partido já faz a conta: ele ainda soma voto ou apenas acrescenta fumaça ao incêndio?
E há mais. Segundo pesquisa Quaest divulgada pelo g1, 52% dos brasileiros rejeitam reduzir as penas dos condenados pelo 8 de janeiro. A anistia que o bolsonarismo vende como apelo popular aparece, nos números, como peso extra.
Flávio queria parecer um Bolsonaro aceitável para o mercado. Acabou parecendo apenas o velho bolsonarismo com maquiagem financeira, filme eleitoral milionário e um irmão bilionário surgindo na pior hora possível.
Julio Benchimol Pinto



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