Mario Frias Já Não Cabe Num Escândalo Só

 

Segundo o g1, uma ex-funcionária de seu gabinete afirma que devolvia parte do salário, que chegou a mais de R$ 21 mil líquidos. Ela diz que ficava com R$ 6 mil ou R$ 7 mil. O resto, segundo comprovantes, seguia por Pix para o então chefe de gabinete Raphael Azevedo, para parentes dele, para a mãe de Frias e até para pagar fatura do cartão da esposa do deputado.

Ainda há cinco consignados feitos em nome da funcionária, que ela afirma terem servido, em parte, para quitar dívidas de campanha. E um saque de R$ 49.999,99 em dinheiro vivo.


Quarenta e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e noventa e nove centavos.


A estética do patriotismo. A contabilidade da quitanda.


Mas Frias não parou aí. Ele também aparece no entorno do filme Dark Horse, a cinebiografia bolsonarista abastecida com dinheiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em áudio revelado pelo Intercept, Frias agradece ao banqueiro pelo apoio ao filme.


O STF também apura suspeita de desvio de finalidade em emendas indicadas por Frias para entidade ligada à produtora do mesmo filme. Flávio Dino tentou intimá-lo, mas o deputado não foi encontrado. Depois apareceu em viagem ao Bahrein e aos Estados Unidos, aquela clássica excursão republicana de quem parece sempre estar fora quando o oficial de Justiça toca a campainha.


E ainda tem o currículo antigo: virou réu na Justiça Eleitoral por fake news contra Lula no caso do boné CPX e, quando secretário de Cultura de Bolsonaro, já havia sido questionado por gastos com viagens e nomeações de interesse político.


É um álbum completo: rachadinha suspeita, Pix, cartão da esposa, mãe, consignado, dinheiro vivo, emenda, filme bolsonarista, banqueiro preso, fake news eleitoral e turismo institucional.


O bolsonarismo vendia uma cruzada moral. Entregou um extrato bancário.

 Julio Benchimol Pinto

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