Antes dos R$ 3 Bilhões do Riorevidência no Banco Master, Havia o que?

 Antes dos R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master, havia o quê?


Havia política. A Polícia Federal e a decisão de André Mendonça apontam indícios de uma relação próxima entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro. Não estamos falando de um banqueiro que apareceu por acaso na porta do cofre público, pediu licença, mostrou a planilha e convenceu os técnicos com a pureza de um seminarista.

A suspeita é bem menos bucólica. Houve encontros, aproximação pessoal, alinhamento político, mudança na engrenagem do Rioprevidência e, depois, o dinheiro dos aposentados e pensionistas do Rio começou a escorrer para o Master.


Cerca de R$ 3 bilhões. Sim, bilhões.


E o ponto mais delicado é este: segundo a investigação, os aportes teriam seguido mesmo diante de alertas e pareceres técnicos contrários. Quando a técnica diz “cuidado” e a política responde “manda mais três bilhões”, convém acender todas as luzes do necrotério institucional.


O Banco Master, que já parecia uma usina de encrenca financeira, agora ganha contornos de radiografia do poder: banqueiro investigado, governador bolsonarista, previdência pública, fundos suspeitos, STF, PF e busca e apreensão pela segunda vez em poucos dias.


O nome da operação é Compliance Zero. Raramente a Polícia Federal foi tão econômica na ironia. Porque, pelo que se vê até aqui, antes de o dinheiro público entrar, já tinha entrado a política. E, quando a política entra pela porta dos fundos, o dinheiro dos aposentados costuma sair pela janela.

    Julio Benchimol Pinto

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