Jornal da Cidade

 


Ouço como um fado subindo as ladeiras do Pelourinho,

de longe os ventos que embalavam o antigo moinho

e agora vão se arrodear do Terreiro de Jesus.

São arautos de uma garrafa quebrada de aguardente

que borbulham dentro de um caldeirão quente,

enquanto não se faz o sinal da cruz. 


Já não enxerga o entorno e quer briga

antes que se asse a última espiga

de milho, e o empurrem para o chão.

Não precisa isso, mas o outro puxa uma faca

e corre, corre, corre em direção a Lapa,

onde, diz ele, derramou o sangue de Lampião.


É fato que o vento anda bravio e vagueia

pelos ruas e praças, até o Caminho de Areia,

levando as boas e más notícias da cidade:

o homem da faca tropeçou na bebedeira

e caiu, antes da Lapa, no pé da ladeira, 

como este incauto que escreve amenidades.


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Achel Tinoco

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