Carla Zambelli Não Virou Heroína; Virou PROBLEMA Diplomático

 Carla Zambelli saiu da prisão na Itália e o bolsonarismo já está comemorando como se o Papa tivesse revogado o STF, canonizado a pistola e declarado a invasão do CNJ patrimônio imaterial da democracia.

Calma, patriotas. Respirem no saquinho da cloroquina.


O que aconteceu, até agora, é mais estreito e menos cinematográfico: a Corte de Cassação italiana anulou a decisão que autorizava a extradição de Zambelli no caso da invasão ao sistema do CNJ. Isso é relevante, claro. É uma vitória jurídica importante para ela. Mas não é absolvição, não é declaração internacional de inocência, não é prova de perseguição política e muito menos certificado europeu de pureza republicana.


Zambelli continua condenada no Brasil. No caso do CNJ, recebeu pena de 10 anos. No caso da perseguição armada em São Paulo, foi condenada a 5 anos e 3 meses. A Itália, por ora, barrou a entrega dela em um dos processos de extradição. O outro ainda não acabou.


Mas a tropa do delírio já saiu vendendo a decisão como se a Justiça italiana tivesse descoberto que Zambelli era uma espécie de Joana d’Arc do WhatsApp, injustiçada por não aceitar a tirania dos sistemas invadidos.


Sem o acórdão, ninguém sabe ainda se a Corte apontou vício formal, insuficiência de garantias, problema processual ou outra razão técnica. Mas, no Brasil, a hermenêutica bolsonarista é simples: se perde, é ditadura; se ganha, é prova de inocência; se foge, é exílio; se é presa, é mártir; se é solta, é santa.


No fundo, a decisão italiana não apaga o essencial: Zambelli fugiu do Brasil depois de condenada, tenta escapar da execução da pena e agora depende de uma batalha jurídica internacional para não voltar.


Não virou heroína; virou problema diplomático.


Julio Benchimol Pinto

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