Deus, pátria, familia - e gelo esférico
A República brasileira descobriu uma nova modalidade de previdência: aposentado entra com o contracheque, banqueiro sai com o uísque.
Segundo a investigação da PF revelada pela GloboNews, Daniel Vorcaro convidou Cláudio Castro, governador bolsonarista do Rio pelo PL, para uma degustação exclusiva no The Carnegie Club, em Manhattan. “Evento pequeno”, disse o banqueiro. Pequeno como só essa gente entende: dez convidados, uísque fino e uma conta estimada em US$ 1,013 milhão, mais de R$ 5 milhões.
No dia seguinte, o Rioprevidência aplicou R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Depois vieram outros aportes. No total investigado, o buraco chega a cerca de R$ 3,6 bilhões do fundo previdenciário dos servidores do Rio metidos no ecossistema Master. Aposentadoria pública no risco; elite política no brinde.
E a roda, segundo a Veja, não parava em Castro: também aparecem o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta, Republicanos-PB; Ciro Nogueira, PP-PI, velho operador do bolsonarismo; Dr. Luizinho, PP-RJ; Isnaldo Bulhões, MDB-AL; e Marcos Pereira, Republicanos-SP, deputado, presidente do partido e bispo licenciado da Universal.
PL, PP, Republicanos e MDB orbitando o banqueiro do Master enquanto o discurso público falava em moralidade, família, fé e combate à corrupção.
No púlpito, virtude. Na taça, cinco milhões de dólares? Não. Pior: um milhão de dólares em uísque e bilhões de previdência pública farejando o mesmo balcão.
Deus, pátria, família - e gelo esférico.
Julio Benchimol Pinto



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