Caiado Resolveu Brincar de Chanceler de Província
Caiado resolveu brincar de chanceler de província. Foi acenar para os Estados Unidos com minerais estratégicos brasileiros como quem oferece a prataria da casa para parecer importante no jantar. O detalhe incômodo, desses que estragam a pose, é que recurso mineral não pertence a governador em surto de grandeza; pertence à União. O subsolo não é curral nem Goiás é república autônoma de faroeste.
Mas o problema de Caiado não é só o entreguismo envernizado de modernização; é a combinação tóxica de autoritarismo com oportunismo golpista. O homem que posa de estadista acha normal prometer anistia ampla, geral e irrestrita para Bolsonaro e para os envolvidos no 8 de Janeiro, como se tentativa de golpe fosse trauma de campanha e não ataque à ordem constitucional. Disse mais de uma vez que pretende anistiar Bolsonaro e os golpistas se chegar ao Planalto. É a velha pedagogia do coronelismo: para os amigos do poder, perdão; para a democracia, desprezo. 
Caiado quer vender duas mercadorias ao mesmo tempo: lá fora, a soberania mineral do país; aqui dentro, o perdão político para quem conspirou contra a República. Num balcão, oferece terras raras; noutro, absolvição moral para golpista. Chama isso de pacificação. Eu chamo pelo nome certo: decadência institucional com sotaque de fazenda grande do interior de Goiás.
Julio Benchimol Pinto



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