No dia da Mentira o Presidente dos Estados Unido Faz Um Pronunciamento de Querra

Trump escolheu o Dia da Mentira para fazer um pronunciamento sobre a guerra com o Irã. Foi coerente.

Disse que a guerra está quase no fim e, no mesmo fôlego, prometeu mais duas ou três semanas de bombardeio. Tradução: declarou vitória enquanto anunciava a continuação da guerra. É o estratégico método do bêbado de cassino: jura que está indo embora enquanto pede outra ficha.


As críticas mais sérias ao discurso não vieram só dos adversários costumeiros, mas de analistas e centros de política internacional. O problema apontado é simples: muita pose, pouco plano. Quase nada de diplomacia, quase nada de objetivo concreto, quase nada de explicação sobre custo humano, custo econômico e saída política.


Falou como quem controla tudo. Soou como quem perdeu o roteiro.


Enquanto isso, petróleo em alta, mercados tensos, aliados europeus irritados e o direito internacional sendo tratado como aquele guardanapo de bar que se amassa e joga no chão depois do espetáculo.


Trump vendeu por anos a fantasia do presidente que não meteria os EUA em novas guerras. Agora aparece na televisão como vendedor de conflito sem prazo, sem mapa e sem freio. America First virou gasolina cara, instabilidade global e ameaça à própria aliança atlântica.


No Dia da Mentira, ele fez um pronunciamento de guerra. A ironia é que o mais assustador não foi a mentira, mas a possibilidade de ele próprio já não distinguir bravata de estratégia. 

     Julio Benchimol Pinto

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