Narges Mohammadi Nobel da Paz 2023 Esta em Estado Grave na Prisão

 Narges Mohammadi, Nobel da Paz de 2023, pode ter sofrido um infarto na prisão de Zanjan e, até onde se sabe, segue sem atendimento médico adequado. Em fevereiro, já tinha recebido nova pena de 7 anos e meio.

Narges não está sozinha nesse corredor de crueldade. O regime que matou Mahsa Amini sob custódia continua perseguindo mulheres, manifestantes, advogados, minorias e qualquer um que ouse tratar dignidade como algo mais importante que turbante e polícia moral. A própria missão internacional independente da ONU afirma haver bases razoáveis para concluir que o Estado iraniano cometeu graves violações de direitos humanos e crimes contra a humanidade, inclusive perseguição de gênero, e que esse padrão continuou depois de 2022, com prisões arbitrárias, execuções e intimidação sistemática.  


Agora a máquina voltou a acelerar. A Reuters informou hoje a execução de Amirhossein Hatami, preso após os protestos de janeiro de 2026. A Anistia denunciou há dois dias que outros manifestantes e dissidentes correm risco iminente de execução. E, como se a barbárie ainda precisasse de rodapé, a AP noticiou hoje a nova detenção da advogada Nasrin Sotoudeh, outro nome-símbolo da resistência civil iraniana.  

Há também mulheres como Pakhshan Azizi, Warisha Moradi e Sharifeh Mohammadi, apontadas por organizações de direitos humanos entre as presas e condenadas em processos políticos grotescos, sob a mesma engrenagem de repressão que transforma o direito penal em instrumento teológico de vingança.  


Muita gente no mundo olha para o Irã e enxerga apenas geopolítica, petróleo, mísseis e negociação nuclear. Conveniente. Assim some de cena o essencial: há um regime que espanca mulheres, sufoca dissidentes, encena julgamentos e pendura seres humanos no cadafalso para preservar uma teocracia apodrecida. Quando o assunto é Irã, há quem descubra um súbito talento para relativizar fascismo, desde que ele venha embalado em antiamericanismo de boutique.


Narges Mohammadi está em estado grave. O problema não é apenas a prisão de uma Nobel, mas um regime que fez da prisão, da tortura e da forca um método ordinário de governo.  

  Julio Benchimol Pinto

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