Trump demitiu Pam Bondi
Não a promotora que atuou diretamente no caso Maxwell/Epstein, Maurene Comey, que já tinha caído em julho de 2025. Demitiu a procuradora-geral e chefe do Departamento de Justiça, hoje, 2 de abril de 2026, depois de uma sucessão de trapalhadas e suspeitas na gestão dos arquivos de Epstein.
Bondi já vinha sangrando havia semanas. Em fevereiro, foi acusada até por republicanos de esconder nomes de figurões ligados a Epstein. Em março, foi convocada pelo Congresso. No mesmo mês, o Departamento de Justiça teve de soltar entrevistas do FBI que tinham ficado fora do pacote principal, inclusive material com acusações contra Trump que o próprio departamento disse serem não corroboradas ou confirmadas por fontes independentes. Quando a promessa é transparência total e depois aparecem documentos esquecidos na gaveta, o perfume já não vence o cheiro.
E há o detalhe mais americano do enredo: Trump a derrubou também por achá-la pouco agressiva contra seus adversários políticos. Sai Bondi, entra Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Trump, como interino. O Departamento de Estado vai ficando com aquela elegância institucional de puxadinho de condomínio administrado pelo compadre do síndico.
O caso Epstein continua fazendo o que sempre fez: arrastar gente poderosa para a zona cinzenta em que todo mundo promete luz e todo documento sai coberto de tarja preta. O morto continua produzindo cadáver político.
Julio Benchimol Pinto



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