Dona Aurora


Dona Aurora observava, do peitoril,

as águas que inundavam o rio

e levavam as baronesas lilases.

Iam pelo vale verdejante

de sua imaginação flutuante

ao pântano dos incapazes.


Dona Aurora olhava uma rosa

e balançava a cabeça, nervosa,

para os jardins da Vila Ferreira.

Corria a chamar um moleque:

— Vai à cozinha buscar meu leque

e se ponha a abanar a beira.


— Mas, beira de quê, dona Aurora?

Ele respondia sem demora,

antes que a noite se afogasse.

Era apenas mais um delírio

de quando não via seu Porfírio

e a tarde, então, não passasse.


Como em a "Louca de Albano",

Jogou-se, quase por engano,

nas águas barrentas do rio.

Era o mesmo Rio da Formiga

que, de posse de quem o abriga,

tragou a Aurora do peitoril.

 Achel Tinoco 

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