Dois Judeus Esfaqueados na Rua em Londres
Golders Green, em Londres: dois judeus esfaqueados na rua. A polícia britânica já trata o caso como terrorismo.
Antes que comece o coro previsível da relativização seletiva, convém deixar uma coisa clara: ninguém precisa apoiar Netanyahu, a ocupação, a direita israelense ou qualquer governo de Israel para reconhecer o óbvio. Quando judeus são atacados em Londres, Manchester, Washington, Boulder ou Bondi por serem judeus, isso tem nome. E o nome não é “contexto geopolítico”, é antissemitismo.
A operação retórica já é conhecida. Primeiro dizem que é “lamentável, mas…”. Depois vem Gaza. Depois vem Israel. Depois vem “sionistas”. Depois vem a velha fraude moral: transformar qualquer judeu visível em representante mundial de um Estado, de um governo, de um exército, de uma guerra e de todos os pecados reais ou imaginários do Oriente Médio.
É assim que se lava a faca no discurso.
Em 2025, o Reino Unido registrou 3.700 incidentes antissemitas, o segundo maior número da série histórica da Community Security Trust. No mesmo período, houve ataque fatal contra sinagoga em Manchester. Nos Estados Unidos, dois funcionários da embaixada de Israel foram assassinados perto do Capital Jewish Museum, em Washington. Em Boulder, uma manifestação em favor dos reféns do Hamas foi atacada. Na Austrália, comunidades judaicas também viraram alvo.
E, no entanto, sempre aparece alguém para explicar que o problema não é o ódio ao judeu, mas a “reação compreensível” ao Estado judeu. Curioso: nenhum chinês da diáspora vira alvo legítimo por causa de Pequim. Nenhum russo comum responde por Putin. Nenhum muçulmano deve ser cobrado pelos crimes de regimes ou grupos islamistas. Corretíssimo. Mas, com judeus, a esquerda campista redescobre alegremente a culpa coletiva.
Criticar Israel é legítimo. Demonizar judeus, atacar sinagogas, perseguir comunidades judaicas e tratar crianças, idosos, religiosos ou estudantes judeus como embaixadores ambulantes de um conflito é outra coisa.
É a velha besta, de roupa nova, vocabulário progressista e álibi humanitário.
E ela fede do mesmo jeito.
Julio Benchimol Pinto



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