Saiu Mais Um Capitulo Do Grande Circo Presidencial Brasileiroe


De um lado, o Avante lançou Augusto Cury, o homem que passou a vida ensinando a controlar a ansiedade e agora decidiu entrar justamente na disputa mais eficiente do país para produzir surto, taquicardia e colapso moral coletivo. É quase um experimento clínico: o autor da gestão da emoção se oferecendo para governar um hospício com Pix, emendas e Centrão.


Do outro lado vem ele, Cabo Daciolo, o profeta da República, o homem que não faz campanha; faz culto de montanha com CNPJ eleitoral. Daciolo é uma espécie de encontro místico entre apocalipse, live ruim e sirene de viatura.


Daciolo tem uma vantagem inegável: num país em que tanta gente mente com pose de estadista, ele ao menos delira em voz alta. Não esconde o personagem, não disfarça o transe, não tenta parecer normal. É um serviço prestado à transparência. Se Bolsonaro era o falso Messias de cercadinho, Daciolo sempre foi o pentecostal do megafone, o homem que transformou a política em retiro espiritual para gente que confunde geopolítica com batalha contra demônio territorial.


E o mais espantoso é que isso tudo ainda encontra partido. Sempre encontra. No Brasil, legenda nanica funciona como Airbnb de vaidade presidencial: entra um, dorme mal, grava vídeo, surta um pouco, sai dizendo que foi chamado por Deus e pelo povo. O povo, coitado, geralmente não foi consultado.


Augusto Cury oferece equilíbrio emocional; Daciolo oferece possessão cívica. Um quer governar o país como se fosse palestra motivacional; o outro parece querer decretar jejum nacional contra as forças ocultas de Brasília. Entre o coach da alma e o profeta do grito, a República vai virando esse parque temático de autoajuda, seita e oportunismo partidário.


No fim, é isto: um pré-candidato quer tratar o Brasil no divã; o outro quer exorcizá-lo no alto do monte.


E o país, mais uma vez, segue sem psiquiatra, sem padre e sem paciência.

       Julio Benchimol Pinto

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