Kristi Noem Passou Anos Vendendo ao Eleitorado Trumpista o Kit Completo de Santa Padroeiera da direita moral

 Kristi Noem passou anos vendendo ao eleitorado trumpista o kit completo da santa padroeira da direita moral: Deus, pátria, família, rancho, pose de xerife, cara de poucos amigos e aquela energia de quem gostaria de regular por decreto o desejo alheio.

Até outro dia, não era figurante. Era secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, um dos cargos mais poderosos e sensíveis do governo Trump. Fronteira, imigração, deportação, segurança interna. Uma sacerdotisa do trumpismo punitivo com crachá oficial e poder de Estado na mão.

Foto: Reprodução

Aí veio o escândalo. Segundo o Daily Mail, o marido dela, Bryon Noem, apareceu ligado ao universo da bimbofication, um fetiche de hiperfeminização caricata, meio boneca inflável saída de um pesadelo kitsch com filtro de Instagram, envolvendo fotos, mensagens e gastos com modelos desse circuito.


E aqui está a parte realmente engraçada. Não porque um homem adulto tenha fetiches. Cada um faz da própria libido o que quiser. O ponto não é esse. O ponto é que essa gente passou a vida inteira transformando sexualidade, costumes, gênero, corpo e intimidade em palanque eleitoral. Essa gente vive de patrulhar os outros, de pregar família, pureza, decência, civilização cristã, bons costumes e pânico moral em escala industrial.


Quando a fantasia estava no quarto dos outros, era decadência moral. Quando a fantasia apareceu dentro de casa, virou privacidade. Milagre do trumpismo. A extrema direita que quer mandar no corpo de todo mundo sempre desmaia quando a lanterna entra no próprio porão. É uma seita política especializada em duas coisas: vigiar a vida alheia em público e pedir respeito à intimidade em privado.


No Brasil, a tradução é simultânea. Troque MAGA por bolsonarismo, a bandeira dos EUA pela camisa amarela da CBF e o pastor texano pelo pregador da extrema confiança do capitão. O roteiro segue idêntico: cruzados da moral por fora, pânico por dentro.


Os equivalentes brasileiros devem ter lido essa história suando frio, com a Bíblia fechada, o celular tremendo e o Telegram em  modo limpeza.

Julio Benchimol Pinto

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